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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mais do mesmo no futebol brasileiro


Muricy Ramalho é o novo técnico do Santos Futebol Clube. Após semanas de negociações ficou acertado um contrato de um ano com vencimentos em torno de 600 mil reais para o mal-humorado treinador e mais a montagem da comissão técnica que ele queria.
Sobre a contratação em si, eu já era absolutamente contra, mas o desenrolar da mesma mostra a incompetência e irresponsabilidade dos dirigentes brasileiros.
Por que sou contra? A verdade é que Muricy é um treinador que precisa (e exige, parecendo não saber que seu alto salário possa atrapalhar um pouco as contas do clube) de um elenco bem servido em, pelo menos, quase todos os setores. Foi assim com o São Paulo, onde foi tricampeão brasileiro com os jogadores que queria, mas mesmo assim teve resultados pífios na Libertadores. No Palmeiras, conseguiu frear a característica ofensiva e rápida da equipe e terminou o brasileirão vergonhosamente fora da zona da Libertadores. E no ano passado, mesmo com o bom elenco do Fluminense e contando com o craque Conca, precisou contar com a incompetência dos concorrentes e a sorte de pegar São Paulo e Palmeiras nas últimas rodadas. Ou seja, Muricy precisa de elenco pra vencer e seu estilo de jogo não muda: muita marcação, saídas em contra-ataque, muito chuveirinho. Ele não tem a sensibilidade de fazer a equipe jogar de acordo com as características dos jogadores que tem, pelo contrário, os jogadores é quem tem que se encaixar no estilo dele, mesmo que não tenham qualidade para tal. E o elenco atual do Santos não atende aos seus anseios. O time não tem goleiro, a zaga é lenta e tem Edu Dracena, as laterais são vulneráveis, pois o ídolo Léo não tem o mesmo vigor de outrora e Jonathan vive machucado, o meio campo de marcação tem somente Arouca, que também está no estaleiro, e não tem centroavante pra seu clássico chuveirinho. Soma-se ainda a dura missão de controlar o enorme ego de Neymar.
Mas o megalomaníaco Luiz Álvaro, presidente do Peixe, afoito em agradar os empresários que comandam o clube, não quis nem avaliar a situação. Queimou vergonhosamente seu funcionário, Marcelo Martelote, enquanto ele estava no comando do time e se humilhou pra fazer as vontades de Muricy chegando ao ponto de receber um “bolo” quando convidou o treinador pra assistir um jogo na Vila e o mesmo não compareceu. O treinador ainda teve a cara-de-pau em dizer que a situação difícil do Santos na Libertadores o fez abreviar as férias.  Tá bom né?! Porque então não assumiu antes do decisivo jogo contra o Colo Colo?
Luiz Álvaro chegou com pinta de dirigente moderno, mas é apenas mais do mesmo. Um grupo de investidores manda no clube, um pirralho mimado (Neymar) faz o que quer e a outra revelação (Ganso) tá forçando a saída, do jeito que seus empresários querem. O Peixe não merece tamanho desrespeito.

Moisés Bonniek