Mais uma eleição municipal se aproxima, e nada de
surpreendente a acompanha. Os mesmos conchavos, as mesmas alianças, as mesmas
“surpresas” de candidatos que achávamos serem rivais mortais se aliando em prol
do “bem” comum dos interesses de seus correligionários, a mesma política
fisiológica (compra de votos descarada, por exemplo, pra deixar de ser
pedante), a mesma poluição sonora, os mesmos sorrisos, abraços e falsas
promessas, a mesma merda de sempre.
Moro em Barreiros, uma pequena cidade situada na zona da
mata sul de Pernambuco, e aqui a política se desenrola do mesmo modo que em
qualquer outra cidade que conheci no interior da Bahia. O município parece não
ter governo, tamanha é a falta de serviços e condições básicas para a
população. Há pouco mais de dois anos sofremos uma enchente de graves
proporções: muitas casas destruídas, gente desabrigada, duas das principais
pontes da cidade foram abaixo. O tempo passou e pouca coisa foi feita no que concerne
à reconstrução da cidade. Mesmo com o dinheiro enviado pelo governo federal (o
que gerou uma polêmica na época, pelo fato de Pernambuco ser o estado natal do
ex-presidente Lula e o crédito destinado ter sido maior do que pra outros
lugares naquele momento), as duas pontes citadas, por exemplo, ainda não foram
refeitas e em apenas uma delas foi improvisada uma passarela. A cidade continua
imunda (lixo espalhado pelas ruas), muitas ruas sem o calçamento desde a
enchente, mas as pessoas parecem conformadas com a situação. Quase todos na
cidade dizem que aqui não tem governo, porém quando da chegada do pleito
municipal, as mesmas pessoas correm atrás de favores dos candidatos, que se
aproveitam muito bem da situação e mantém o funcionamento do ciclo eleitoral ad infinitum (promessas, favores
pontuais, compra de votos, distribuição de cargos, desvio de verbas, cidade
parada, após quatro anos voltam as promessas, favores pontuais...).
Não tenho a menor esperança numa transformação desse
cenário. Penso que uma mudança na base educacional e, por conseguinte, na
mentalidade da população geraria efeitos positivos a longo prazo, mas pra isso
precisaríamos de políticas educacionais, e tudo que o governo não quer é um
povo consciente de sua condição e realidade. Os movimentos sociais seriam uma
alternativa consistente, porém não vejo ninguém se organizando no sentido de
tocar projetos de educação libertadora, livre de vínculos religiosos ou
políticos, que têm servido muito mais pra controlar as pessoas, mantendo-as
longe do comando de seus próprios destinos.
Muito bom o texto, fratello. Parece que existe uma cartilha que os políticos seguem e encenam rigorosamente do mesmo jeito em cada canto do interior nordestino (e do Brasil também).
ResponderExcluirDá nojo de campanha política, eu nunca estive tão revoltado com isso.
Pois é irmão, Seu etxto poderia se aplicar a divrrsoso municipios brasileiros, salvo as questoes particulares de cada um, os fatos desprezives estã presentes emtodos os municipios. Eu tambem nao vejo perspectiva de mudança para um novo paradigma. Lamentavel.
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